5 meses de enrolação e contando: nada avançou 20 dias após “Serginho” postar story prometendo diálogo

Em 28/5, o prefeito Sérgio Azevedo (PL) postou story no Instagram dizendo ter orientado seu tio, o secretário de Educação Alfredo Gonçalves (Republicanos), a receber o sindicato, mas 20 dias depois a categoria continua sem qualquer agendamento, a Lei do Piso Nacional do Magistério continua sendo descumprida e não há proposta do executivo para recomposição salarial do funcionalismo municipal. “Serginho” perpetua o ‘reajuste zero’ pelo terceiro ano consecutivo e desde janeiro ignora ofícios do Sepe Lagos solicitando audiência.

No dia 27 de maio, os profissionais da educação de Cabo Frio realizaram uma greve de 24 horas com forte adesão. Muitas escolas tiveram suas atividades parcial ou totalmente interrompidas. A principal pauta foi a luta contra a política de “reajuste zero”, que já dura 3 anos, e o pagamento do Piso Nacional do Magistério, garantido por lei federal (11.738/2008), mas ignorado pela prefeitura desde janeiro.

No mesmo dia, o prefeito Sérgio Azevedo (PL), conhecido como “Serginho”, apareceu de surpresa no ato da categoria, em frente à prefeitura. Ele usou o microfone, agradeceu por poder falar, mas se irritou com as reações dos trabalhadores quando tentou culpar a falta de reajuste em problemas herdados de gestões anteriores — um discurso velho e repetido que não convence mais ninguém e soa como uma reedição da postura adotada por governos passados quando o assunto é valorização salarial dos servidores.

Mais grave: o prefeito se recusou a receber uma comissão de negociação do sindicato, alegando que não aceita conversar com a coordenadora do Sepe Lagos, a professora Denize Alvarenga. Para justificar o veto, Sérgio publicou nas redes sociais um vídeo amplamente editado e distorcido, propagando a fake news de que Denize teria o impedido de falar no ato. Isso não aconteceu. O microfone foi passado a ele normalmente. Foi Sérgio quem não aceitou lidar com a divergência. Largou o microfone e se recusou a seguir falando logo na primeira reação ao seu discurso manifestada pelos trabalhadores presentes.

A vida não melhora com enrolação

Enquanto preparava um café com canela na manhã do dia seguinte à greve, em 28 de maio, Sérgio publicou um story em sua conta no Instagram. Afirmou no vídeo que teria orientado o secretário de Educação, Alfredo Gonçalves (Republicanos) — seu tio, licenciado do cargo de vereador — a receber uma comissão do sindicato. As condições impostas no dia anterior se mantiveram: comissão composto por no máximo 3 pessoas e com veto à participação de Denize Alvarenga.

O problema é que, desde então, já se passaram 20 dias e essa reunião nunca aconteceu. Nenhum convite foi feito ao sindicato, nenhuma proposta foi apresentada. O prefeito simplesmente se calou e continua se comportando como se o Sepe não estivesse solicitando audiência há 5 meses. Seu tio secretário adota o mesmo comportamento.

Enquanto isso, Alfredo e Sérgio seguem recebendo, sem absolutamente nenhuma restrição, outra comissão. Esta, formada por diretores de escola. Com esse grupo as reuniões são lotadas, quase sempre com mais de 10 participantes. Todos com pleno direito de fala, em conversas sem hora para acabar. A diferença de tratamento comprova de forma categórica: o veto à coordenadora do Sepe é uma clara tentativa de fragilizar e limitar a representação sindical.

O veto a Denize também é uma prática antissindical, que viola o princípio da autonomia sindical — garantido pela Constituição Federal de 1988 (art. 8º), que assegura a autonomia dos sindicatos para organizar sua administração e representação sem interferência do Estado ou dos empregadores — e também viola o princípio da liberdade sindical — protegido em todo o mundo por convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como a Convenção nº 87, da qual o Brasil é signatário.

O departamento jurídico do Sepe Lagos já denunciou formalmente esse abuso de poder ao Ministério Público do Trabalho (MPT), posto que o Executivo ou quaisquer um de seus agentes não tem o direito de ditar quem os trabalhadores podem escolher para os representarem em uma audiência ou em qualquer outra reunião institucional. O prefeito deve se atentar ao fato de que ainda vivemos num Estado Democrático de Direito, com um regime republicano, e dialogar com os representantes que a categoria decidiu, ainda que não goste ou discorde de algum deles.

Categoria decide enfrentar abusos com luta e unidade

Na última assembleia da categoria, realizada pelo Sepe Lagos em 30 de maio, os trabalhadores reafirmaram disposição para seguir na luta diante do sucateamento das escolas, do “reajuste zero”, do descumprimento da Lei do Piso e dos ataques à professora Denize Alvarenga. As deliberações priorizaram ações de mobilização e denúncia — com campanhas nas escolas, nas redes e na imprensa, além de medidas jurídicas e institucionais. A categoria destacou a importância da unidade para enfrentar a precarização e defender sua representação sindical.

A vida não melhora com mais mentiras

Além disso, o prefeito e o secretário vêm mentindo à imprensa local. Dizem que nenhum professor de Cabo Frio ganha abaixo do piso. Isso é totalmente falso. A prefeitura não aplicou o último reajuste nacional nem para o nível inicial da carreira, e muito menos estendeu esse reajuste aos demais níveis do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), como manda a lei.

Mesmo com tantas ilegalidades, parte da imprensa da região tem aceitado sem questionar as versões da prefeitura. Alguns portais divulgaram as falas do prefeito sem checar nenhuma informação. Ao invés de buscar informações precisas, apenas reproduzem a narrativa oficial e até propagam desinformação e participam de campanhas de difamação contra a professora Denize, com montagem de imagens e conteúdo manipulado por inteligência artificial.

Só a luta muda a vida

A categoria segue em luta e não aceitará que seus direitos sejam desrespeitados, nem que sua representação seja atacada por práticas autoritárias e antidemocráticas.

17 dias de silêncio mostram que o governo não quer negociar — quer impor. E para isso ele faz qualquer coisa, inclusive mentir sem qualquer tipo de escrúpulo.

Mas a educação de Cabo Frio não será calada. A resposta virá com mais mobilização, mais unidade e mais luta nas ruas. Quem tenta silenciar o sindicato está, na verdade, com medo da força de quem faz a Escola Pública de verdade. E nós vamos provar, mais uma vez, que nenhum direito se conquista sem resistência.

Seguiremos firmes, sempre ao lado dos profissionais da educação, com total independência frente aos governos. Com coragem! Com voz!

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