No último dia 28, em um “story” publicado em sua conta no Instagram, o prefeito Sérgio Azevedo (PL) anunciou mais um grave ataque aos direitos dos profissionais da educação de Cabo Frio: impôs descontos salariais abusivos e retroativos a servidores que participaram das greves legítimas realizadas em janeiro e maio deste ano.
A medida, adotada de forma autoritária e sem qualquer aviso prévio, representa um ato de perseguição política e violação direta ao direito constitucional de greve, uma tentativa de punir trabalhadores por movimentos paredistas que jamais foram considerados ilegais pela Justiça.
A punição atinge dezenas de profissionais, muitos dos quais já enfrentavam dificuldades financeiras diante de uma realidade marcada por salários congelados, condições precárias nas escolas e a completa ausência de diálogo por parte da gestão municipal. Há casos de trabalhadores que ficaram impossibilitados de pagar contas básicas, como aluguel e alimentação. E, inclusive, de trabalhadores que não aderiram a greves e foram injustamente descontados de forma aleatória e sem critérios.
Diante dessa situação, o sindicato reafirma sua posição de total repúdio à política de retaliação adotada pela Prefeitura e já está tomando as medidas jurídicas cabíveis para contestar os descontos e responsabilizar a gestão por mais esse abuso.
Canal de denúncias e rede de apoio
Para organizar as ações jurídicas e construir uma rede de apoio aos atingidos, o Sepe Lagos disponibilizou um formulário específico para os servidores punidos pelos descontos arbitrários. O canal está disponível em: www.sepelagos.org.br/descontosdegreve
As informações enviadas permitirão ao sindicato acompanhar cada caso individualmente e articular, junto à categoria, formas de apoio financeiro emergencial aos atingidos.
As reivindicações continuam
As greves realizadas este ano foram motivadas por uma série de violações que se acumulam há anos e seguem sem resposta. Entre as principais reivindicações estão:
• Três anos sem reajuste salarial para os servidores;
• Piso do magistério não cumprido;
• Ausência de um Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) unificado;
• Servidores recebendo abaixo do salário mínimo;
• Falta de enquadramentos, triênios, resíduos e até salários do mês;
• Desigualdade salarial entre contratados e concursados;
• Concursados não convocados;
• Não aplicação correta do 1/3 de jornada extraclasse;
• Falta de pessoal nas unidades escolares;
• Estrutura física das escolas em condições precárias;
• Transporte escolar inseguro;
• Nenhuma responsabilização pelos mais de R$ 100 milhões desviados da Educação durante a gestão de Magdala Furtado (PV).
Repressão não vai calar a luta
O Sepe Lagos reafirma que greve não é crime — é direito. A tentativa de sufocar o movimento grevista por meio de punições financeiras não irá calar a categoria, que segue mobilizada e disposta a lutar por justiça, valorização profissional e educação pública de qualidade.
Diante do autoritarismo e da negação do diálogo, é hora de fortalecer a solidariedade, a organização coletiva e a resistência. O sindicato seguirá na linha de frente dessa luta, exigindo respeito aos direitos dos trabalhadores e denunciando todos os abusos cometidos pela gestão municipal.

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