Protesto denunciou falta de condições para aulas presenciais em Búzios

Os educadores homenagearam colegas de trabalho vítimas da Covid-19. O prefeito Alexandre Martins passou de carro pelo local, sem máscara, e acenou de maneira debochada para os trabalhadores, rindo da manifestação.

Na manhã de hoje, em frente à Escola Estadual Municipalizada José Bento Ribeiro Dantas, um grupo de trabalhadores da educação voltou a ocupar as ruas em Armação dos Búzios. Eles protestaram contra a política irresponsável do prefeito Alexandre Martins (PL) e da secretária Carla Natália Marinho. O município quer impor o retorno à presencialidade nas escolas sem garantir condições seguras, ignorando os altos índices de transmissão do coronavírus, bem como o patamar crítico de óbitos diários causados pela doença.

Na manifestação, os educadores expressaram seu luto pela memória de colegas de profissão que morreram vítimas da Covid-19. Eles se vestiram de preto e carregaram cartazes com fotografias de trabalhadores da região mortos por consequência da doença. Os manifestantes utilizaram máscaras PFF2 durante todo o momento e procuraram manter o distanciamento físico, como é recomendado para prevenir contágios.

Foi realizada a leitura dos nomes e sobrenomes destes trabalhadores e o toque de tambores, em marcha fúnebre, durante interrupções momentâneas no trânsito na avenida principal da cidade. Os profissionais também fixaram cerca de 20 cruzes no gramado em frente à Escola José Bento simbolizando a memória destas vítimas da pandemia.

Ao longo da manifestação muitos cidadãos da cidade se solidarizaram com os educadores. Alguns, pediam que os trabalhadores incluíssem nas leituras durante o protesto os nomes de entes queridos que foram vitimados pela Covid-19.

O prefeito Alexandre Martins passou de carro pelo protesto. Sentado no banco copiloto de um automóvel de luxo que estava em direção ao centro da cidade, o prefeito, sem máscara, acenou de maneira debochada para os trabalhadores, rindo da manifestação e demonstrando profundo desdém pelas reivindicações sanitárias e pela homenagem que estava sendo realizada.

No intervalo entre as leituras dos nomes, quando os trabalhadores liberavam o trânsito, o carro de som do Sepe Lagos reproduzia um anúncio de áudio denunciando a forma irresponsável como a presencialidade está sendo imposta nas escolas.

Foi abordada a grave situação epidemiológica, a precariedade das condições de infraestrutura das escolas do município e a falta de investimentos públicos para sanar este problema, o não fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como as máscaras PFF2 e os protetores faciais, e a postura do prefeito e da Secretaria de Educação de não aceitar negociar com o sindicato.

Também foi lembrado que a retomada das atividades presenciais na rede municipal de ensino de Armação dos Búzios ocorre sem a completa vacinação dos profissionais da educação, que receberam apenas a primeira dose do imunizante, e sem que a grande maioria da comunidade escolar seja vacinada. Por todos estes motivos, a medida tem sido amplamente criticada pelos educadores.

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