Plenária dos aprovados em Búzios cobra convocação clara e respeito aos prazos do concurso

Sepe Lagos e candidatos exigem a publicação da lista nominal, orientações oficiais sobre a apresentação de documentos e segurança para quem precisa organizar sua saída de outro emprego. Plenária aprovou medidas para os próximos dias.

Mais de 120 educadores aprovados no concurso da rede de Armação dos Búzios se reuniram em plenária online com o Sepe Lagos nesta segunda-feira (28) para discutir a convocação anunciada pela Prefeitura para outubro. A ausência de uma lista nominal e de instruções oficiais completas gerou dúvidas sobre quem deverá comparecer nos dias 5, 6 e 7, quando começará o prazo para entregar documentos e como será organizado o processo até a posse. Ao final, a plenária aprovou, sem votos contrários, medidas para cobrar esclarecimentos e orientar os candidatos.

Um concurso esperado há 14 anos

O Edital nº 01/2026 encerrou um intervalo de 14 anos desde o último concurso público municipal. Sua publicação ocorreu após cobranças pelo cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público para regularizar o quadro de pessoal. O resultado do concurso foi homologado em agosto.

Conquista da luta, mas ainda insuficiente

A conquista, porém, ainda é parcial. O edital oferece 190 vagas para cargos do magistério e formação de cadastro de reserva, deixando de fora outros profissionais indispensáveis ao funcionamento das escolas. O Sepe Lagos já havia cobrado um concurso que contemplasse toda a Educação municipal.

Durante a plenária, foram apresentados dados segundo os quais a rede possui 878 servidores efetivos e 1.499 contratados. Os números foram levantados pelo Sepe Lagos a partir da análise de folhas de pagamento da Prefeitura. O sindicato estima que, somente no magistério, seriam 626 efetivos e 803 contratados. Mais de 150 contratos docentes atenderiam a substituições temporárias, como licenças; ainda assim, a estimativa debatida é de pelo menos 600 vagas permanentes para professores, aproximadamente metade delas para o cargo Docente I. Os números e a estimativa foram informados na reunião e reforçam a necessidade de um levantamento oficial, detalhado por cargo e unidade escolar, informações que a Prefeitura não divulga publicamente.

Convocação precisa sair do campo das informações verbais

Conforme o cronograma apresentado à plenária, os aprovados começariam a ser chamados em outubro, teriam cerca de 30 dias para reunir documentos, passariam pela avaliação médica entre novembro e dezembro e tomariam posse em 1º de fevereiro. Essas etapas e datas precisam constar com clareza nos atos oficiais de convocação. Até a reunião, a lista nominal dos convocados não havia sido publicada; a expectativa informada era de publicação no Jornal Oficial de quarta-feira (30).

O edital do concurso determina que a convocação respeite a ordem de classificação por cargo e seja comunicada por publicação no Jornal Oficial e por correspondência eletrônica da Prefeitura. Também prevê um edital de convocação no site municipal e no Jornal Oficial. É esse novo edital que deve fixar o prazo para a entrega dos documentos; o edital original não estabelece, por si só, um prazo geral de 30 dias contado de uma etapa de “ciência”.

A apresentação para “ciência” nos dias 5, 6 e 7 de outubro, mencionada durante a plenária, não aparece como etapa específica no edital original. Para o Sepe, a Prefeitura deve explicar oficialmente a finalidade desse comparecimento, indicar quais candidatos devem se apresentar em cada dia e esclarecer seus efeitos sobre os prazos. Sem essa publicação, não é possível tratar a ausência nessa etapa informal como causa automática de desclassificação. O sindicato acompanhará a questão com sua assessoria jurídica.

A indefinição afeta decisões concretas dos aprovados. Candidatos que já trabalham precisam saber quando solicitar afastamento ou vacância do cargo atual. Também houve preocupação com o custo de realizar exames médicos antes da divulgação das datas de avaliação e com a possibilidade de que a escolha das unidades escolares desrespeite a classificação. O Sepe cobrará transparência em todas essas fases.

A coordenação do Sepe Lagos criticou a organização apresentada até agora e avaliou que a falta de informações abre espaço para conflitos e questionamentos. Na reunião, defendeu a cobrança direta à Prefeitura para corrigir rapidamente os procedimentos, enquanto o sindicato acompanha as dúvidas jurídicas. O Sepe também seguirá fiscalizando as posses, eventuais desistências e a necessidade de convocar candidatos do cadastro de reserva. Caso a Prefeitura volte a contratar temporários para vagas permanentes enquanto houver aprovados disponíveis, o sindicato informou que cobrará providências do Ministério Público.

Deliberações aprovadas por unanimidade pelos participantes da Plenária
  1. Orientar o comparecimento dos aprovados nos dias 5, 6 e 7 de outubro, caso a Prefeitura não publique até sexta-feira (2) a lista nominal e as orientações necessárias. O Sepe divulgará a convocação e os cuidados pertinentes após verificar as publicações oficiais.
  2. Encaminhar ofício à Prefeitura para exigir a publicação clara da lista de convocados, das datas, dos prazos e das regras de cada etapa, além de esclarecimentos sobre qualquer ponto que permaneça indefinido após a publicação prevista para quarta-feira (30). O documento também solicitará declaração de comparecimento para os candidatos que precisem justificar a ausência em seu emprego atual.

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