O Sepe Lagos alerta: o plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) combina cortes nos investimentos públicos, flexibilização trabalhista e ataques à liberdade de organização sindical. O programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as declarações de seus coordenadores de campanha apontam riscos para salários, aposentadorias e serviços essenciais à população.
Cortes ameaçam o financiamento da educação e o piso salarial do magistério
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, anunciou a intenção de cortar despesas equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, estimadas em R$ 190 bilhões, sem detalhar sobre quais áreas recairão os cortes.
Cortes dessa dimensão podem comprometer o financiamento da educação, a valorização salarial, a alimentação escolar e as condições de acesso e permanência dos estudantes. Também foi noticiada a intenção de desvincular os gastos com educação dos mínimos constitucionais, substituindo sua relação com a arrecadação por correções apenas pela inflação. Após a repercussão negativa, a campanha passou a negar essa intenção.
O programa prevê “vouchers” para transferir recursos públicos a escolas e creches privadas, estimulando a compra, pelo poder público, de vagas fora das redes municipais de ensino. Também propõe expandir a militarização das escolas e condicionar os repasses de verbas ao cumprimento de metas de aprendizagem.
O Sepe Lagos alerta que direcionar recursos ao atendimento privado não resolve as carências da rede pública e aprofunda a insuficiência de investimentos. Condicionar o financiamento a resultados também penaliza as escolas que enfrentam maiores dificuldades e atendem às populações mais vulneráveis.
Vale lembrar que Cabo Frio é uma das muitas cidades administradas pelo PL. O prefeito bolsonarista “Serginho” não paga o piso do magistério e manteve os servidores municipais sem reajuste salarial pelo quarto ano consecutivo, além de ter roubado dos servidores contratados o direito ao proporcional do 13º salário.
Defender a educação pública exige enfrentar esse projeto de precarização e privatização e fortalecer a organização coletiva de quem trabalha nas escolas públicas.
O SUS e o Piso da Enfermagem também estão na mira de Flávio
A saúde pública também está ameaçada pela agenda de cortes de Flávio Bolsonaro e pela ampliação da participação privada no SUS. Claudio Lottenberg, anunciado pelo candidato para comandar o Ministério da Saúde, defende expandir a atuação de organizações sociais, parcerias público-privadas e prestadores privados.
Essa orientação pode aumentar a transferência de recursos públicos ao setor privado e subordinar o atendimento à redução de custos e à rentabilidade, prejudicando a prevenção, os tratamentos continuados e a assistência em regiões de menor interesse comercial. Para os trabalhadores, a expansão da terceirização pode ampliar a precariedade dos contratos e a rotatividade das equipes.
Se o “tesouraço” atingir os recursos da saúde, poderá agravar as filas, reduzir os atendimentos e dificultar o cumprimento do Piso da Enfermagem, que conta com complementação financeira federal. Embora o programa não anuncie a extinção do piso, ameaçar seu financiamento coloca em risco sua efetivação e a valorização dos profissionais de enfermagem.
Flávio quer o trabalhador desprotegido diante de patrões e governos
O plano de Flávio Bolsonaro defende a negociação direta entre trabalhador e empresa, com prevalência do negociado sobre o legislado. Também prevê contratos com remuneração mais baixa para jovens de 18 a 24 anos e pessoas com mais de 50 anos que estejam desempregadas há mais de um ano. A promessa é “reduzir gradualmente o custo do trabalho”, sob o argumento de que “o custo de um trabalhador formal chega a cerca de duas vezes o salário que ele leva para casa”.
Embora prometa preservar direitos, a proposta ignora o desequilíbrio de forças entre quem depende do salário para sobreviver e quem controla o emprego e tem o poder de demitir.
O ataque à organização coletiva aparece no próprio documento: Flávio apresenta os sindicatos e as demais entidades e movimentos da classe trabalhadora como “inimigos” do Estado e da população. Também questiona a participação de representantes sindicais na formulação de políticas públicas, como a criação de planos de carreira e a elaboração de leis que garantam direitos aos trabalhadores.
Enfraquecer os sindicatos e deslegitimar sua representação reduz a capacidade dos trabalhadores de defender seus direitos e enfrentar imposições patronais ou da administração pública.
Perpetuar a exploração: Flávio é contra o fim da escala 6×1
Em 2 de setembro, Rogério Marinho, coordenador da campanha, Jaime Bagattoli, Tereza Cristina e Hamilton Mourão votaram, na CCJ do Senado, contra a proposta de jornada máxima de 40 horas, sem redução salarial, com dois dias de descanso semanal.
Marinho também apresentou a PEC 12/2026, que permite a contratação por horas trabalhadas, com remuneração e verbas trabalhistas proporcionais, mantendo o limite semanal de 44 horas. O programa de Flávio não assume compromisso com o fim da escala 6×1.
Reforma administrativa e novas ameaças à aposentadoria
Sob a bandeira do “tesouraço”, o programa propõe retomar a reforma administrativa, extinguir pelo menos dez ministérios e reativar o Programa Nacional de Desestatização (PND) e o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Durante o governo de Jair Bolsonaro, esses programas foram usados para entregar a preço de banana estatais fundamentais para o povo brasileiro, como a Eletrobrás (maior empresa de energia elétrica e de fontes renováveis da América Latina) e a Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo, que administrava as atividades portuárias no litoral capixaba). Flávio quer impor também a privatização total da Petrobras e da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), entregando ainda mais nossos recursos fósseis para empresas estrangeiras.
Marinho também anunciou a intenção de “revisitar” as reformas previdenciária e trabalhista para aprofundar a retirada de direitos promovida nos governos de Temer (2016–2018) e Bolsonaro (2019–2022).
Neste segundo turno, vote 13 para derrotar a agenda anti-povo de Flávio Bolsonaro
O Sepe Lagos orienta a categoria a votar 13 para derrotar Flávio Bolsonaro neste segundo turno. O sindicato convoca os profissionais da educação a fortalecer a mobilização da classe trabalhadora em defesa dos direitos sociais e trabalhistas e das liberdades democráticas.
Essa luta não terminará nas eleições! Frente a qualquer resultado, será preciso fortalecer a organização nos locais de trabalho, a participação nas assembleias e a presença dos trabalhadores nas ruas para enfrentar a retirada de direitos, a privatização dos serviços públicos e os ataques ao nosso direito de organização nos sindicatos, entidades e movimentos sociais. A força para preservar conquistas e avançar por mais direitos está na ação coletiva, com independência diante de governos e patrões.

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